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por Fransérgio Goulart

O papel da construção da memória na discussão sobre Violência do Estado é fazer lembrar e manter viva as lembranças de tudo aquilo que o Estado quer apagar. Ao produzirmos memória, como dispositivo de construção de legado e manutenção da resistência estamos materializando a luta por justiça racial.

O Estado Brasileiro é uma máquina de violar direitos, que construiu e consolidou as distintas formas de epistemicídios a partir do mito da “democracia racial” durante a formação da identidade nacional brasileira. Ademais, o pacto narcísico da branquitude inviabiliza as constantes tentativas populares de promoção da justiça racial.

O passado e o presente colonial escravocrata inegavelmente faz parte da história do país, marcando de forma brutal toda a sociedade brasileira. Portanto, entendemos como função histórica do povo negro, a construção da memória dos negros e suas resistências para enfrentarmos a permanência dessa violência simbólica nos territórios da cidade, marcadas por monumentos e outras produções de memórias que apresentam apenas a história do colonizador, constituindo a identidade e memória coletiva da supremacia branca. 

A IDMJR tenta construir e efetivar a construção da memória dos esquecidos, dos injustiçados, dos inviabilizados. Temos como ponto de partida a reconstrução de uma verdadeira memória coletiva e de identidade nacional a partir de negros e indígenas.

Nossos memoriais em grafite tem por objetivo materializar a disputa da cidade a partir das nossas histórias e memórias. Aqui vale ressaltar o protagonismo das mulheres negras nesta construção.

São mães de santos, são lideranças comunitárias, são mães vítimas da violência Estado que com seus corpos a ocupar o espaço mais privilegiado da cidade as ruas, becos e vielas produzem memória.

Outra questão que a branquitude não entende é a oralidade como instrumento de luta, proteção e construção das memórias do que podemos contar. Afinal, como aponta Iya Wanda de Omolu são os mistérios que nos permite continuarmos vivos nesta terra.

Produzir nossas memórias é produzir direito a cidade!

Milton Santos um dos maiores geógrafos do mundo diz que a cidade é o espaço construído a partir de disputas de classes e raças, de disputas de ideologias, ou seja, o espaço é este eterno construir, por isto quando construímos nossas memórias e histórias estamos produzindo disputas, produzindo cidade.

Na sociedade capitalista racializada não será o Estado violador o garantidor de política de memória e Justiça, esta terá que ser produzida com nossos corpos, memórias e histórias pois ao fazermos isto produzimos mais um dispositivo de luta para o fim do capitalismo e assim termos a possibilidade de construção de uma democracia que Angela Davis chama de Democracia da Abolição.


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