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Por IDMJRacial


Temos fome, não temos terra, não há um teto sob nossas cabeças e a ameaça da bala disparada pelo braço armado do Estado ainda nos persegue entre ruas e vielas.

Todos os dias, homens e mulheres negras chafurdam os lixos da cidade em busca de comida, batem de porta em porta para conseguir um trabalho, morrem esperando atendimento médico e ainda convivem com o medo adoecedor de não conseguir criar seus filhos e filhas com dignidade. 

Sem contar, as mães que tiveram o seu direito à maternidade interrompido por um tiro da polícia no enfrentamento à dita “guerra às drogas”. Guerra aos pretos. A cor de quem é assassinado pelo Estado é uma só.

Poderíamos escrever páginas e páginas sobre racismo, desigualdades raciais, miséria, precarização, violência, falta de acesso a direitos humanos, sociais e trabalhistas básicos. E chegaríamos a um dado comum sobre quem são os mais afetados: todos são pretos – e o genocídio negro não comove a opinião pública.

Mesmo na recente e frágil democracia brasileira, a cidadania é exercida pelos brancos. Os ventos da democracia ainda não chegaram no barraco mais alto da Rocinha, nem no barro vermelho da Baixada e não alcançaram as lavouras do interior do Estado.

O campo progressista diz que “faltam políticas públicas.”  Porém não entendem ou fingem não ver, que essa é a política pública! Uma política pública pensada e operada pelas grandes elites e suas famílias brancas, conservadoras, heteronormativas e cristãs.

O debate da “disputa interna” do Estado já não funciona mais. Como disputar algo que foi fundado pelo extermínio de povos originários e população africana?  No Brasil, o aprisionamento e a retirada forçosa de corpos de seus territórios perpassa toda a formação social e econômica brasileira desde o tempo de colonização até o atual período dito democrático. O sistema colonial deixou um rastro de extermínio de povos originários, escravização, pilhagem, expulsões, expropriações, doutrinação cristã, violência e espoliação por onde passou as expedições ‘civilizatórias’.

Não dá para humanizar o Estado, nem o capital. Não dá pra fingir e nem dissimular.

A história da resistência negra nos possibilita pensar maneiras de reorganizar o enfrentamento à violência de Estado promovida nesses territórios na atualidade, já que a luta contra as violações do Estado sempre foram centrais para a sobrevivência do povo negro. Voltar ao passado, rememorar lutas, celebrar a ancestralidade e principalmente comprometer-se com o projeto político do povo negro brasileiro: estar vivos. 

E nunca esquecer que para  a criação de uma nova sociedade, precisamos superar os limites das instituições do capitalismo e fundar uma nova forma de sociabilidade não mais pautada na acumulação de capital e nem na expropriação da vida. Apenas seremos efetivamente livres quando a supremacia branca não mais existir. 

Neste 13 de maio, ao invés de ficar compilando todos os impactos da escravização na atual sociedade brasileira, a IDMJRacial convida a todes, para sonhar com a construção de um mundo em que a centralidade não seja a mercantilização da vida e sim a cosmovisão afrodiaspórica, em que apenas o que nos une realmente importa.

A Liberdade.

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