por IDMJRacial
No dia de hoje a 23 anos atrás , em 16 de abril de 2003, ocorria na favela do Borel, zona norte do Rio de Janeiro, mais uma Chacina produzida pelas forças policiais , na ocasião quatro jovens foram executados a queima-roupa por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar. Registrado inicialmente como “auto de resistência” (legítima defesa), o caso foi evidenciado como execução extrajudicial, tornando-se mais um símbolo de não responsabilização por parte do Estado em uma Chacina Policial. Em nomes das Vítimas continuamos a gritar PRESENTE HOJE E SEMPRE para: Carlos Alberto Pinto (21 anos), Carlos Magno (18 anos), Edson Siloti (26 anos) e Thiago Silva (19 anos), que foram mortos durante operação militar.
Para a IDMJRacial a produção de memória pode e deve ser compreendida como um dispositivo abolicionista na medida em que atua na disputa política pelos sentidos do passado, do presente e das possibilidades de futuro, confrontando discursos e ideologias hegemônicas que legitimam a violência estatal e as instituições punitivas. Ao recuperar experiências históricas de resistência, como o Movimento Posso me Identificar protagonizado por familiares vítimas da Chacina do Borel e jovens negros moradores durante o ocorrido, até hoje, estamos denunciando as continuidades entre escravidão, colonialismo e sistemas contemporâneos de punição, e ao mesmo tempo valorizando conhecimentos e trajetórias de grupos historicamente marginalizados, tornado a memória um instrumento fundamental para desnaturalizar regimes de opressão e imaginar alternativas às estruturas de controle e encarceramento.
Nesse sentido, a memória não opera apenas como registro do passado, mas como prática política ativa de elaboração crítica da história, capaz de revelar como determinadas instituições — como prisões, polícias e aparatos de vigilância — são herdeiras de formas históricas de dominação racial e social. A construção de discursos contra-hegemônicos, arquivos populares, monumentos e memoriais insurgentes, produções culturais e pedagogias da memória constitui, assim, um campo estratégico de luta para projetos abolicionistas, pois permite questionar os fundamentos simbólicos e materiais que sustentam a punição como paradigma de gestão social.
Desse modo, a produção de memória assume caráter abolicionista ao produzir condições simbólicas e políticas para a formulação de novos imaginários de justiça, segurança e convivência social, orientados por perspectivas antirracistas, antipunitivistas e comprometidas com a reparação histórica.

Um sistema Genocida com desigualdade social e judicial