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Por: Fransérgio Goulart

O que vivemos no último domingo com as polícias federal, rodoviária federal e as polícias militares nos estados do Brasil dificultando e criando barreiras com falsas blitz com objetivo de dificultar o processo de eleição para determinado grupo de pessoas contrários ao projeto fascista, racista e homofóbico do atual presidente do Brasil é a prova cabal do porque a luta pela abolição das polícias é central. Eles agem como sempre com a legalidade e ilegalidade ao mesmo tempo e na situação contaram com uma passada de pano do Supremo Tribunal Federal que já tinha um ofício desde sábado proibindo as operações, mas que no domingo aceitou a alegação das polícias que eles estavam fiscalizando ônibus e transportes públicos com pneus carecas e outros desvios segundo esse Estado policialesco.

Para a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, a criação da polícia moderna tem raízes no controle de escravos no Brasil, no colonialismo e no combate à organização dos trabalhadores industriais. Para IDMJR podemos destacar que hoje uma série de áreas da vida cotidiana são policiadas:  escolas, favelas e bairros de periferia, questões como consumo de drogas e trabalho sexual, pessoas com problemas mentais – e todo este processo policialesco só serve para garantir a propriedade privada e a supremacia da branca e não negra.

A Polícia é a máquina de violar direitos, sendo o dispositivo monopolizador da violência que age na legalidade e ilegalidade. E para nós não existe possibilidade de reforma da polícia, pois no capitalismo ela será este instrumento de hegemonia de uma classe. A polícia é a materialidade que no capital não existe isto de Estado mínimo quando ao assunto é controlar e executar determinados segmentos populacionais como negros no Brasil.

Quando George Floyd foi assassinado em Minneapolis, nós da IDMJR observamos e dialogamos com uma explosão de protestos e insurgências, que não tinha nas suas reivindicações mais câmeras nas fardas dos policiais, ou de jogar alguns policiais no sistema prisional, eles tinham como principal demanda tirar o financiamento da polícia. Atualmente continuam se organizando de forma local acerca das prioridades orçamentárias. Isto é uma ação concreta de construção da abolição das polícias.

A IDMJR vem também pautando e lutando pelo desfinanciamento das polícias no estado do RJ, mas encontra muita resistência do campo institucionalizado dito mais progressista, que tem como apontamos em textos anteriores, cada um, um policial para chamar de seu.

Será que o que ocorreu com as polícias no processo eleitoral brasileiro vai possibilitar avançarmos nas discussões da abolição das polícias, das prisões e de que a polícia não é classe trabalhadora no nosso campo político? 

Será que ao vermos os EUA e suas polícias, sendo a população negra 14% do contingente populacional apenas, mesmo assim, sendo a mais encarcerada e executada por esse Estado e suas polícias, isto na badalada Democracia Mundial, não levar a termos certeza que a luta pela abolição das polícias e das prisões é a única forma e maneira de negros, latinos e outros grupos exercerem liberdade?

Angela Davis ao falar da Democracia da Abolição que tem como objetivo a construção de um projeto político de liberdade que passa pelo fim de todas as instituições como polícia, prisões, do sistema de justiça e do próprio capitalismo, não nos convoca para esta construção?

Se você é favelado/a, preto/a, não pode mais acreditar que a polícia pode ser melhorada ou consertada, pois isto é a contradição concreta ao verbalizar que é um antirracista. Os brancos ditos progressistas acreditarem na reforma da polícia, é uma coisa, a outra é quem sofre cotidianamente com a ação policial e sua política de controle e produção de morte é outra.


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