por IDMJRacial
Na tarde de ontem (23/03), a IDMJRacial lançou sua breve Cartografia Social sobre os Impactos Ambientais nos Espaços de Privação de Liberdade no IESP – UERJ em Botafogo.
Na mesa de lançamento contamos com a participação de Lucas Matos – Doutor em direito (UFRJ) e integrante do Grupo Clandestino de Estudos em Controle, Cidades e Prisões e Coordenador da área de Direitos e Sistema de Justiça do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Regine Schönenberg – Diretora do escritório da Fundação Heinrich Böll no Rio de Janeiro, cientista política e doutora pela Universidade Livre de Berlim (FU-Berlin), da familir vítima do sistema prisional Neli Ferreira Gomes que foi uma das co – autoras da Cartografia Social e do nosso diretor executivo da IDMJRacial , especialista em cartografias sociais e/ou insurgentes.

Fransérgio Goulart destacou a importância da cartografia social como metodologia que possibilita a afirmação que favelados(as), familiares vítimas do sistema prisional e sobreviventes do cárcere são produtores do conhecimento.
Durante toda a sua apresentação, ressaltou o cuidado das informações produzidas e que o produto apresentado foi fruto de pactuação com os (as) participantes, pois assim é o método da construção de uma Cartografia Social.
“ Como uma organização que trabalha no combate à violência e terrorismo de Estado, a IDMJRacial compreende a luta contra o militarismo e o encarceramento no mundo também como uma luta por justiça climática e ambiental”
(Fransérgio Goulart – diretor executivo da IDMJRacial)
Fransérgio também reforçou a ideia do projeto político da abolição das policiais e prisões como a única saída, dialogando com as parceiras de ideias e confabulações abolicionistas: a geógrafa abolicionista e marxista Ruth Gilmore e Ya Wanda de Omolu1
Lucas Matos dialogou apontando que precisamos incidir no judiciário brasileiro para que eles assumam sua responsabilidade frente às violações apontadas na Cartografia. E fez uma convocação para incidirmos no Plano Pena Justa. Em sua fala reforçou que não existe Pena Justa, mas apontou que o plano pode ser uma ferramenta de redução de danos frente às coisas inconstitucionais no sistema prisional e nos espaços de medida socioeducativa.
Regine trouxe toda sua bagagem internacional , e sua experiência de pesquisa com varejistas de drogas no Pará, região Amazônica e compartilhou a necessidade de aprofundarmos o debate de prisões e impactos ambientais a partir da produção de Michel Foucault. Por fim parabenizou por mais um ineditismo de uma produção da IDMJRacial.

Neli Ferreira Gomes que foi uma das co – autoras da Cartografia Social e vítima do sistema prisional agradeceu e compartilhou com muita emoção que nunca pensou em estar na Universidade em uma mesa de lançamento de algo que ela foi uma das pessoas que produziu. Disse que após a morte do seu filho Lucas, este momento demonstra a possibilidade da ressignificação da morte em luta – aqui destacando que isto também só é possível a partir de um acompanhamento de saúde onde a terapia é fundamental. Não sabia que a cartografia permite esta produção do conhecimento, e no grupo focal comecei a desenhar o que veio na minha cabeça a partir dos diálogos que tivemos, e ao final ver que produzimos conhecimento é fantástico.
“Lucas, vive! Agora, espalha amor e conhecimento, pontes e vida.”
(Neli Ferreira Gomes)
Para acessar a cartografia social, clique abaixo:
