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CALENDÁRIO DAS MORTES EM BELFORD ROXO

Por: Equipe IDMJR


No dia 07 de janeiro foi anunciada a criação do destacamento da Polícia Militar através uma proposta legislativa do Deputado Estadual Márcio Canella (MDB) que possui sua base social de votos em Belford Roxo. Márcio Canella também é meio-irmão do vice-prefeito de Belford Roxo, o Marcelo Correia da Silva.

O apoio do atual prefeito de Belford Roxo, Waguinho (MDB) e da Deputada Federal Daniela do Waguinho (MDB) também foram fundamentais para que o estabelecimento do destacamento da PM se concretizasse. Ressalta-se que a implementação do destacamento da PM apenas ocorreu após a visibilidade na imprensa sobre o desaparecimento dos 3 meninos em Belford Roxo.

Desde o dia 11 de janeiro, moradores e moradoras do Complexo do Roseiral em Belford Roxo a partir do argumento do Estado, de implantação de um destacamento de polícia no território, vem sofrendo com operações policiais, chacinas e tiroteios ininterruptos.

Logo, destacamos que o principal fator da realização desta megaoperação policial foi dar respostas ao caso de desaparecimentos do Lucas, Alexandre e Fernando que está mais de 2 meses sem qualquer resolução nas investigações. Recebemos uma série de denúncias e relatos de violações de direitos nas comunidades locais.

Segundo moradoras e moradores, a megaoperação policial se desdobrou em conflitos cotidianos entre milícias e o varejo de drogas para a disputa do domínio local.

A IDMJR ressalta que já são 45 dias ininterruptos de uma megaoperação policial para implementação de um destacamento de Policía Militar. No total, foram 17 operações policiais, 16 registros de tiroteios e 02 chacinas que resultaram em mais de 22 pessoas assassinadas.

Essas violações vem acontecendo e desrespeitando a liminar de suspensão das Operações Policiais expedida pelo Ministro Faccin do Supremo Tribunal Federal que proíbe operações policiais durante a pandemia de Covid-19.

Nós, da IDMJR, construímos o calendário das mortes em Belford Roxo como mais um dispositivo de denúncia. Todas as informações foram sistematizadas a partir do monitoramento das redes sociais da Polícia Militar, mídias sociais locais do território e também através de relatos recebidos pelo ZAP Denúncia (21 99998-0238).

Ontem, quando já estávamos fechando esse material, mais uma vez moradores/as de Belford Roxo tiveram uma tarde e uma noite de pânico. Devido a realização de mais uma Operação Policial que resultou em mais mortes, ônibus e lojas queimados e intensos tiroteios.
A IDMJR segue denunciando e tentando incidir para que essa barbárie termine.

Mitigar a necropolítica no Brasil , sobretudo em territórios como a Baixada Fluminense requer a construção a médio e longo de ações que caminhem para o Abolicionismo das Polícias, concomitantemente com o fim do capitalismo estruturado no racismo e no patriarcado.

As denúncias que a IDMJR fez a ONU e a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos² sobre a produção da morte em Belford Roxo só foi possível pelo diálogo estabelecido com moradoras de Belford Roxo e o não aceite mais do SILENCIAMENTO como sobrevivência.


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