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por IDMJR

Estas breves linhas parte de uma observação com relação a branquitude que se diz desconstruída1, que sempre afirma que não produz racismo.

Antes de mais nada é importante situar a partir do professor Lourenço Cardoso um dos maiores especialistas da América Latina sobre o tema Branquitude, o que é isto.

Por definição, Lourenço Cardoso, historiador e sociólogo, autor da obra O branco ante a rebeldia do desejo: um estudo sobre a branquitude no Brasil, explica que a branquitude enquanto conceito “significa a pertença étnico-racial atribuída ao branco”. Podemos entendê-la como o lugar mais elevado da hierarquia racial, um poder de classificar os outros como não brancos, colocando-os, assim, como inferiores aos brancos. Ser branco se expressa na corporeidade, isto é, a brancura, e vai além do fenótipo. Ser branco consiste em ser proprietário de vantagens/privilégios raciais simbólicos e materiais.

A observação que compartilho aqui é sobre uma pessoa e organização que produziu uma dezena de atos racistas, e que até hoje, nunca veio a público dizer :eu fui racista. Este ato da branquitude é mais um dos privilégios do corpo branco, que tenta desacreditar e desmentir a pessoa que sofreu o ato racista e cotidianamente tenta persuadir inclusive outros negros e negras a acreditar neste processo de dissimulação. A branquitude dita desconstruída, tenta aos montes produzir ações que ele nomeia como anti racistas, mas que na verdade é uma cortina de fumaça para manter seu privilégio, com a finalidade de esconder que é um racista.

Em uma sociedade capitalista racializada uma ação anti racista seria aquela que enfrenta a estrutura, a raiz do problema, ou seja, ele próprio e não o outro.

Mas de fato nunca ouvimos ou ouviremos de um racista, que ele produziu racismo. O privilégio é tanto que este viverá ileso, diferente da pessoa que sofreu o racismo, que levará a marca desta ação por toda a vida, pois ao corpo negro a dor e ao corpo branco, a salvação.

Muitas das vezes a Branquitude dita desconstruída produz estratégias como: apelar a Deus, dizendo, ele sabe que eu não fiz isto, ou mesmo chorar perante a outros negros e negras,  dizendo não sou deste tipo de pessoa, trabalho enfrentando o racismo.

” Dissimular é arte da Branquitude.”

(Fransérgio Goulart – IDMJR)

A Branquitude sempre terá sua versão como a verdade, pois mentira é para negros/as.

Em tempos de radicalização do ódio contra negros e negras, a Branquitude dita desconstruída segue produzindo racismo cotidianamente, a questão central é que neste campo progressista branco , estes corpos não aceitam e não assumem que produzem racismo.

De fato esta pessoa branca só produziu racismo, porque antes no seu espaço não existia corpos negros dizendo não concordo, disputas e dissensos, que em sua cabeça poderia ser a possibilidade de perda de controle do seu espaço e de perda de privilégios. 

Termino convocando negros e negras a pensar quem são seus aliados brancos/as de verdade, e falo isto como homem branco, pois de Branquitude dita Desconstruída temos um monte pela sociedade.

Quando brancos virão a público dizer que produzem racismo? Será que isto será possível? Como branco continuarei a provocar outros corpos brancos a se pensar e agir contra o racismo de verdade, e isto requer enfrentamento à estrutura e a ele mesmo, ou seja, precisamos aprender a perder, por isto concordo com o pastor e intelectual negro Ronilso Pacheco que afirma se o corpo negro sofreu e ainda sofre com a dor, o corpo branco precisa aprender com a pedagogia da dor, pois somente assim talvez consiga transpor um percurso do seu privilégios e assim de fato se aliar a uma luta anti racista.


1  Pessoas brancas que dizem reconhecer seus privilégios e que dizem que enfrentam o racismo, ou seja, aquele homem branco , tipo dos direitos humanos.

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