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Por IDMJRacial


A IDMJRacial desde 2022 vem produzindo a série Geopolítica do Poder Cotidiano da Baixada Fluminense com o objetivo de analisar as disputas territoriais nos municípios da região realizadas por milícias e o varejo de drogas. Ressaltando o papel do Estado e suas forças públicas e privadas de segurança no processo de produção da morte e do encarceramento em massa para gerar denúncias que possibilitem incidirmos politicamente. Mas queremos destacar que para IDMJRACIAL a construção destes mapas também tem como objetivo a geração de informações para que os grupos, coletivos e movimentos sociais locais possam pensar em estratégias de proteção e de ações cotidianas nestes territórios militarizados.

Seguindo com a série de publicações, as relações de geopolítica do poder cotidiano desta edição trata do município de Magé, localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e faz limite com Guapimirim, Duque de Caxias, Petrópolis e a Baía de Guanabara. Possui uma divisão administrativa baseada em 6 distritos, com um território situado na subida da serra, com áreas de proteção ambiental que geram muita especulação imobiliária. Haja vista, que este município da Baixada Fluminense tem uma importância histórica imprescindível para formação social da região e também para resistência do povo negro,  fruto da  presença de 3 quilombos seculares: o de Maria Conga, o do Feital e o de Mombaça, que não apenas organizavam a produção agrícola de toda Guanabara, mas que também são remanescentes do Complexo Quilombola Hidra de Iguassu, que resistiu durante 100 anos aos intentos da Guarda Real da Coroa Portuguesa, sendo considerado um dos maiores problemas de segurança pública naquela época.

Infelizmente, a região de Magé ainda é vista como um problema de segurança pública nos dias atuais para o Estado. Nada é aleatório ou uma coincidência histórica, são territórios marginalizados pela máquina pública dado o perfil racial, classista e combativo destas comunidades, que historicamente lutam contra os intentos violadores de um Estado genocida.

Identificamos um aumento da produção de morte e de casos de desaparecimentos forçados em Magé no último ano, fruto de uma política de segurança pública baseada no conflito armado e policiamento ostensivo, com hegemonia de grupos de milícias em face a tentativa de derrocada do poder do varejo de drogas. Contamos com participação popular e com interlocutores que são moradoras e moradores de Magé, além do mapeamento de redes sociais, para criar um panorama do controle do poder de milícias e do varejo de drogas em todo território mageense.

Recebemos também uma série de relatos através de nossos canais de comunicação sobre os impactos letais das disputas entre milícias e varejo de drogas, por isso, realizamos uma denúncia ao Ministério Público do Rio de Janeiro sobre diversos casos de de tortura, decapitações e execuções de jovens, em sua maioria, homens negros na comunidade Cantinho da Vovó em Mauá – Magé.

As informações apontavam possibilidade de envolvimento de políticos locais nessas ações na relação com as milícias e envolvimento de policiais militares do batalhão da região. Um dos políticos envolvidos, Vandro Família, teve seu mandato cassado na Alerj devido a entrega de cestas básicas para funcionário público nas últimas eleições. Ademais, publicou uma série de vídeos falando que não deixaria a “bandidagem se instalar por Magé” colocando-se em uma posição de autoridade pública  e defesa de direitos dos cidadãos. 

Para nós, da IDMJRacial, o varejo de drogas e milícias compõem as relações políticas e econômicas do Estado. Logo, não é uma surpresa ter uma série de parlamentares, membros do Executivo e Judiciário envolvidos com esquemas de corrupção e comércio de drogas e armas, já que a ocorrência conflitos violentos é de responsabilidade do Estado, seja por omissão ou participação ativa. 

No início de 2024, mais exatamente no dia 12 de janeiro, recebemos denúncias de moradores de Magé, que as Milícias Locais com apoio do TCP em articulação com a Polícia Militar tentou recuperar territórios que eram de domínio do Comando Vermelho, como a Comunidade da Lagoa, foram pelos menos 2 dias de intensos tiroteios, próximo  a fonte de água no Quilombo Maria Conga que resultou em 5 pessoas executadas. 

Salientamos que o mapa e os espaços aqui representados, como nos ensinou o grande geógrafo Milton Santos, é algo dinâmico, logo as representações e o espaço de hoje, podem não ser o de amanhã, ainda mais quando as disputas de fato são para aumento da lucratividade e expansão do poder de influência destas frações de milícias e também do varejo de drogas. 

Ao observarmos a geopolítica local de poder nas disputas territoriais em Magé podemos afirmar que o projeto de segurança pública do Estado é o milicialização do território –  dos 6 distritos administrativos, 5 são dominados por milícias. Em que esta hegemonia é liderada por uma espécie de parceria entre as Milícias e Polícia Militar por vezes para ampliar o poderio bélico nos confrontos e disputar domínios territoriais com o varejo de drogas.

Vale salientar, que conforme nosso levantamento de informações sobre operações policiais, áreas de domínio e controle das milícias dificilmente são alvos de grandes operações policiais. Entretanto, convivem com barbárie violenta do desaparecimentos forçados e execuções de pessoas.


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