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Por IDMJRacial


Desde o dia 27/03 quando aconteceu a morte da professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, uma das vítimas do ataque a faca na Escola Estadual Thomázia Montoro, na Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo, um verdadeiro movimento fascista e racista têm produzido uma série de fake news sobre violência nas escolas. A IDMJRacial identificou em vários grupos de WhatsApp e outras redes sociais a disseminação de informações sobre a possibilidade de ocorrer supostos ataques a escolas ao longo do dia.

Gostaríamos de ressaltar que o debate de inserção de policiais no cotidiano das escolas, principalmente na rede pública de educação, não é de hoje. Ademais, existe um campo político conservador e fascista que vem produzido uma série de proposições legislativas nas Assembleias Legislativas Estaduais e no Congresso Federal com objetivo de militarizar cada vez mais os espaços escolares.

A partir do nosso Projeto De Olho na Alerj – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – que visa monitorar proposições legislativas sobre Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, já identificamos 7 proposições que ampliam a militarização das escolas públicas e privadas. As propostas vão desde a criação de Segurança Presente nas Escolas, ao aumento de policiais transitando nas escolas, até mesmo a contratação de segurança privada e compra de tecnologias de vídeo vigilância.

A IDMJR é contra a militarização dos espaços escolares, sabemos que não serão essas medidas que irão prevenir ou mitigar qualquer tipo de violência nas escolas. Devido ao amplo sucateamento do ensino público brasileiro, o ambiente escolar não cumpre com o papel de um ensino de qualidade, público e gratuito e nem de longe consegue construir um ambiente de acolhimento, afeto e respeito às diversidades.

Ademais, o mantra de “mais polícia é garantia de mais segurança” é um grande equívoco. Estamos acompanhado o crescimento da militarização em todas as esferas sociais da vida que resulta em uma atuação bastante nociva e antidemocrática. As promessas de ordem, segurança, proteção, disciplina e combate a evasão com a chegada massiva do policiamento nas escolas resultam na verdade em um ambiente opressivo, não permitindo o desenvolvimento de liberdades individuais dos jovens, impedindo a convivência harmônica com a diversidade étnica, sexual e religiosa, bem como, a possibilidade de uma ambiente de florescimento criativo, de aprendizado crítico e de experimentações.

Assistiremos a um ambiente que não dialoga com as diretrizes curriculares e pedagógicas de um espaço de aprendizado, reproduzindo hierarquia e poderes militares, além da possibilidade de ocorrer abusos e assédios por conta da presença de figuras militares que historicamente são violadores de direitos. Ressalta-se que as escolas militares não estão livres da violência, em 25 de setembro de 2022, a jovem Geane da Silva de Brito, de 19 anos foi assassinada na Escola Cívico-militar Eurides Sant’anna, em Barreiras, na Bacia do Rio Grande, extremo oeste da Bahia.

Esse processo de militarização da educação tem de pano de fundo criar mais um espaço/ território de controle dos corpos negros, pobres e periféricos. Sem contar, o estímulo a mais um nicho de mercado que possibilita alta lucratividade para os empresários do ramo de segurança privada.

A presença de policiais em ambientes escolares alimenta a crença de que a segurança está atrelada à figuras de autoridade e a presença do medo. O que constrói um espaço seguro é a participação da comunidade escolar, dos educadores aos profissionais de apoio passando pelos alunos, a comunidade e suas instituições.


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