0 4 min 2 anos

Por IDMJRacial

Não podemos esquecer que o Estado é o responsável por conflitos armados em ruas e vielas, que participa da indústria de armas e guerras seja por falta de fiscalização ou por participação ativa nos estímulos e parcerias com varejo de drogas e/ou milícias. A política de segurança pública baseada no dito enfrentamento a “guerra as drogas” apenas disfarça a real opção política do Estado em determinar que corpos pretos são inimigos públicos e devem ser abatidos. As mortes frutos de conflitos armados e da violência cotidiana são de responsabilidade do Estado, o assassinato do estudante da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Bernardo Vietas Paraíso, ao sair do mercado é resultado das políticas de milicialização operada por este Estado nos territórios perifericos e favelados.

A mídia burguesa incessantemente tenta criar narrativas que os assassinatos são resultados de apenas disputas de poder local. Neste caso apenas as rivalidades e antagonismos entre frações de milícias não dão conta da real situação. Afinal, uma das frações de milícias que atuavam nesse território contavam com apoio tático e estratégia do Batalhão de Polícia Militar de Seropédica. Logo, não estão apenas interesses do varejo de drogas envolvidos em disputas territoriais, como também, atuação em prestação de serviços ilegais – transporte, segurança privada, falsificações, casas noturnas, gás, entre outros. Assistimos a operacionalização de políticas sociais comandadas por grupos de milícias, como acesso a posto de saúde, assistência social e áreas prioritárias para saneamento básico. Em um ano eleitoral as disputas municipais tendem a se exacerbar, principalmente no município de Seropédica que vivencia escândalos de corrupção na administração pública. 

Vale salientar que Mbembe em um dos seus textos mais lidos: Necropolítica, aponta a necessidade de fomento e entendimento do debate entre público e privado na produção da soberania para exercer quem vive e quem morre. Mbembe aponta que na contemporaneidade esta soberania é exercida muitas vezes  pelo agente privado com a finalidade do público, por isso afirmamos que hoje no Estado do Rio de Janeiro vivemos a política pública de segurança da Milicialização. As Milícias para o Estado não é um problema de segurança pública, e sim, a terceirização nas mãos de entes privados para promover o controle territorial de áreas predominantemente pretas.

Com a prisão do miliciano Zinho à pela Polícia Federal há um espólio em disputa do legado da família Ecko na Zona Oeste, uma conjuntura propícia para cada vez mais termos episódios trágicos como estes acontecidos ontem em Seropédica. 

Para nós, da IDMJRacial, continuamos firme no processo de construção da abolição de todas as estruturas que nos oprimem e matam neste Estado e convocamos a todes para a discussão de fomento sobre o desinvestimento das polícias e de todo processo de militarização como possibilidade de enfraquecimento desta máquina de morte e encarceramento chamada ESTADO!


Deixe uma resposta