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Por IDMJRacial


Mais um dia, mais uma operação policial, mais um jovem negro morto, agora o acontecido foi na Lapa e a força policial que produziu a morte foi a Policia Civil.

A pergunta que fica é até quando vamos continuar a acreditar que foi um erro ou falta de preparo da polícia? Ao invés de perguntar isso, não devemos começar a afirmar que todas as polícias estão erradas por existir e com isto construir um projeto político que passa pelo fim das polícias e do capitalismo?

Mas, ontem no meio do terror policial, a população se insurgiu e gerou uma revolta. Logo, o debate sobre como se libertar da repressão estatal e conseguir uma verdadeira abolição dessas práticas é central. Precisamos entender o que realmente é a violência policial e sua relação com o capitalismo, como um total contraponto ao projeto histórico do povo negro de conquista por liberdade.

Uma construção já está em curso, nos EUA após a morte de George Floyd a luta abolicionista pelo fim das polícias ganhou novos contornos, com as propostas urgentes de desfinanciamento das polícias e a remoção de certos espaços, como escolas e espaços de saúde.

O debate do desfinanciamento da polícia aborda os altos gastos públicos com material bélico, enquanto outros aspectos como a educação, saúde e assistência social segue sucateados e com parcos recursos. Isto não é diferente do Brasil, em especial ao falarmos de segurança pública no Rio de Janeiro, onde o gasto público nessa área chega às cifras de 12 bilhões no ano. Porque as cidades têm mais prioridades e investem no policiamento em vez de em políticas sociais? Os altíssimos gastos públicos com as polícias não são acidentais ou aleatórios, nitidamente é uma escolha política do Estado, em investir dinheiro público em instrumentos de produção da morte da população negra.

Inclusive, a polícia como braço armado do Estado também impedem os levantes e insurreições populares contra o atual modo de produção de vida e por outro lado, garantem a manutenção do poder das classes dominantes e a contínua superexploração da classe trabalhadora. Logo, precisamos levar a sério a abolição da polícia e do capitalismo para podermos construir o sonho por liberdade de negros, latinos e da classe trabalhadora, precisamos evidenciar que nossa luta é contra o sistema capitalista, contra as polícias e o Estado que impõe seu governo.

A pergunta que fica é quem quer fazer esta luta? Para IDMJR parece que o campo mais progressista quer insistir em fazer parte deste sistema que nos mata, e acredita que a polícia pode ser reformada e controlada. Estamos em ano de eleição e tanto a direita quanto à esquerda querem um policial para chamar de seu. No Brasil o máximo que chegamos são pedidos de câmeras corporais e melhor treinamento para os policiais.

O argumento para essas propostas são que elas proporcionam maior transparência. Mas as experiências no mundo nos mostram que medidas como essas já foram instituídas, mas pouco ou nada fizeram na produção de contenção do uso da força e produção de morte realizada pelas polícias. Podemos exemplificar com vários casos como o caso de Eric Garner que foi sufocado até a morte em 2014 com um estrangulador ilegal da polícia de Nova York, enquanto tudo foi filmado. Derek Chauvin olhou e sorriu para as pessoas que o gravaram matando George Floyd.

Por isto, pensar também que o sistema de justiça racista com as imagens irá trazer as respostas e responsabilidade deste Estado Capitalista beira a uma inocência. Além disso, a polícia costuma desligar as câmeras do corpo ao cometer atos hediondos de violência.

Nos EUA o número de pessoas baleadas e mortas pela polícia permaneceu consistente desde 2014, mesmo após um maior uso de câmeras. Sabemos que em São Paulo a mídia e parte das organizações de direitos humanos tem comemorado a diminuição de mortes e ações truculentas a partir do uso de câmeras, mas precisamos não nos emocionar com um período curto de uso e também fazermos outras análises mais profundas, como pensar a questão dos desaparecimentos forçados e outras violações produzidas por forças policiais.


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