por IDMJRacial
Na última semana, dos dias 05 ao 07 de agosto , a IDMJRacial esteve participando em Bogotá na Colômbia na representação de seu diretor executivo Fransérgio Goulart, em um Encontro sobre Economia Política da Violência e Defensores/as de Direitos Humanos.
O Encontro teve a participação de 45 militantes, com 25 organizações dos seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Paraguai, Guatemala, Honduras, El Salvador, México e Brasil.
Anterior aos debates do encontro, vale salientar que o que uniu os participantes foi que os países participantes vêm sofrendo com a Violência do Estado, e que a mesma vem sendo transnacionalizada. O encontro teve como marco conceitual a EPV – Economia Política da Violência, que traz como principais aspectos:
- 1. Violência como Ferramenta de Controle e Acumulação:
A violência não é apenas um ato isolado, mas um mecanismo usado por Estados, elites e atores econômicos para manter hierarquias sociais, garantir propriedade privada e controlar recursos.
- 2. Violência Estrutural e Desigualdade:
A violência não se manifesta apenas fisicamente, mas também através de estruturas econômicas(empresas, indústrias, bancos,…) que perpetuam a pobreza, exclusão e marginalização.
- 3. Mercantilização da Violência (Capitalismo é Guerra):
A indústria bélica, o complexo prisional – industrial e a privatização da segurança demonstram como a violência pode ser um negócio lucrativo. Vale aqui lembrar Rosa Luxemburgo que afirmava que o militarismo é uma das principais alavancas da acumulação do capital.
- 4. Violência e Racismo/Etnocentrismo:
A economia política da violência também examina como raça, gênero e classe se articulam, como no caso do encarceramento em massa de populações negras ou na violência contra indígenas em disputas por terras. O capitalismo é racial!
Feito esse breve preâmbulo , a partir de agora trataremos das reflexões construídas e consolidadas pelo encontro.
Um dos pontos bastante debatidos foi se a bandeira dos direitos humanos não estaria chegando no seu limite neste contexto e conjuntura, vide o que vem acontecendo na Palestina. Neste debate também houve uma reflexão que o conceito dos direitos humanos dos movimentos ainda valem , mas o direito humano institucional talvez não. Durante esta discussão, Fransérgio pautou o conceito e o paradigma de pensar a Abolição como uma nova utopia na luta por liberdade e emancipação a partir de estudos produzidos por: Ruthie Gilmore e Angela Davis.
Um grande debate do encontro foi na ambivalência do Estado , mas o ponto comum e de consenso foi que o Estado é necessário para existir o ilegal e o legal, e que devemos ter cuidado de entender grupos produtores da violência privados (milícias, tráfico de drogas, grandes empresas transnacionais como parte desse Estado).
“O debate da ilegalidade e legalidade parece que nos enfraquece muito mais, do que ajuda, pois o Estado Capitalista Racial desaparece. Sendo ele o responsável pela produção da morte.”
(Fransérgio Goulart – Diretor Executivo da IDMJRacial)

Durante todo o encontro se validou a produção de conhecimento balizada em metodologias de cartografias insurgentes de análises, para entender os contextos e a conjunturas desses atores produtores da violência e do Estado, para pensarmos estratégias de proteção e atuação política.
No tocante a proteção algo nos chamou a atenção pois acaba legitimando a metodologia popular de proteção produzida pela IDMJRacial: de entender a religiosidade como estratégia de proteção a defensores e defensoras de direitos humanos.
“ Se hoje estamos vivos na IDMJRacial é porque tem muita curimba.”
(Fransérgio Goulart – Diretor Executivo da IDMJRacial)
Por fim destacar, que se o capitalismo racial internacionaliza a violência, nós da América Latina e dos países do Sul Global, precisamos internacionalizar a resistência. Ao final se construiu um grupo animador desta articulação, na qual a IDMJRacial se tornou uma das organizações parte do grupo animador.
“Sonha e serás livre de espírito, luta e serás livre na vida.” (Che Guevara)
