Por IDMJRacial
O Estados Unidos aprovou um pedido de compra do Brasil para a aquisição de 12 aeronaves do modelo UH-60 Black Hawks no valor total de US$950 Milhões equivalente a cerca de R$4,9 Bilhões, segundo informações do próprio Pentágono. Uma compra de alto valor financeiro para expandir o aparelho de produção de morte nacional.
A IDMJRacial identificou que o Brasil já possui 26 aeronaves do modelo Black Hawks atuando nas Forças Armadas. No Rio de Janeiro, a Polícia Militar opera com aeronaves também, sendo 1 aeronave do modelo Bell Huey II, 1 do AW169, 1 AW119, 4 H-125 Esquilo, com uma frota de 7 aeronaves que são utilizadas como plataforma de tiros durante operações policiais em áreas de favelas e periferias. Ressalta-se que essas aeronaves possuem blindagem parcial e não são equipadas com armamento acoplado à infraestrutura da aeronave.
Na solicitação de compra das 12 aeronaves que o Brasil está realizando com os EUA, a primeira aeronave será enviada ainda em 2025 diretamente para o Batalhão de Operações Especiais – BOPE da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, segundo o pronunciamento do Governador Cláudio Castro (PL). Sendo direcionado para atuar em policiamento ostensivo em áreas urbanas e residências da cidade fluminense. Trata-se de um equipamento utilizado em conflitos de guerra, como na Guerra do Iraque, da Síria, do Vietnã, Somália, entre outros. As outras unidades de aeronaves tem previsão de entrega de 2027 a 2029, porém, para uso exclusivo das Forças Armadas Brasileiras.

Este modelo de aeronave que será utilizado pelo BOPE, principalmente em operações policiais em favelas e periferias, possui blindagem balística integral, chega a velocidade máxima 294km/h, alcance operacional 590 km, uma autonomia de 4 horas de voo – permitindo uma atuação 4 vezes maior do que as aeronaves da PMERJ possui, isto é, a realização de operações prolongadas sem a necessidade de reabastecimento imediato. Além de uma capacidade de carga de até 15 pessoas, o dobro de tripulantes das aeronaves comuns.
Em relação a capacidade de armamento, o Black Hawks pode ser equipado com metralhadoras do tipo M134 – Minigun de 7,62 mm, essas metralhadoras possuem 6 canos giratórios, podendo disparar até 6 mil tiros por minuto! Conta ainda com uma configuração mais robusta, sendo equipada com metralhadoras ainda mais pesadas como GAU-19 de calibre .50 e sistema de disparo de míssil, como Foguete HYDRA-70, em ambos os lados da aeronave.
O Black Hawks ganhou fama em 1993 durante as missões de Forças Especiais Norte-Americanas na a Batalha de Mogadíscio1, na Somália, que também foi retratada no filme “Falcão Negro em Perigo”. A Batalha de Mogadíscio foi uma das piores derrotas dos EUA após a Guerra Fria, sob o pretexto de ajuda humanitária, tropas norte-americanas tentaram intervir na política interna da Somália. Os militares dos Estados Unidos enfrentaram um grande número de pessoas nas ruas, bairros e estruturas da cidade, que assim como ocorreu no Vietnã, resultou em sua derrota. Quando duas aeronaves Black Hawks foram derrubadas apenas com uso lança-mísseis terrestres. Já que armas com calibre.50 não derrubam o Black Hawks, como tradicionalmente ocorre com as aeronaves comuns.
A população local enfrentou a grande potência militar e econômica e saiu vencedora, há imagens da época mostrando os somalis arrastando soldados norte-americanos mortos e mutilados pelas ruas. O conflito durou 1 dia inteiro, resultando na morte de 20 soldados norte-americanos e mais de 1000 pessoas somalis dizimadas pela política armamentista e intervencionista da maior “democracia do mundo”.

O lastro de morte deixado pelo Black Hawks para os moradores de Mogadíscio é o presságio do que pode acontecer no uso dessa aeronave em operações policiais nas favelas e periferias do Rio de Janeiro, estamos diante de um aparato de produção de morte sem precedentes no histórico das polícias da cidade.
Será a primeira vez que esse tipo de aeronave que é de uso especial das Forças Armadas será utilizado por um força policial estadual, mais especificamente a tropa de elite da PMERJ, que já carrega um histórico genocida em sua atuação e intervenções pela cidade em áreas predominantemente negras. Com a chegada do Black Hawks, a força policial do Rio de Janeiro será uma das polícias mais equipadas da América Latina em termos de aviação tática.
A Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial junto com a Rede Abolicionista por uma Incidência Política Popular vem construindo um projeto político de Desinvestimento das Forças de Segurança2 que tenta remanejar o orçamento público da área de segurança pública para financiar as ações de políticas sociais, buscando retirar investimentos no arsenal bélico de produção de morte do Estado.
Vale ressaltar que as decisões finais do julgamento da ADPF 635 – ADPF das Favelas, que dentre as suas determinações liberou que helicópteros possam ser utilizados como plataforma de tiro e que as favelas sofram com um novo plano de reocupação militar reforçam a orientação de uma política de segurança pública cada vez mais militarizada e genocida.
- Para mais informações: DRUMMOND, P. S. . BATALHA DE MOGADÍSCIO: O NOVO VIETNÃ DOS EUA?. 2021; Disponível em: https://historiamilitaremdebate.com.br/batalha-de-mogadiscio-o-novo-vietna-dos-eua/
↩︎ - https://dmjracial.com/2025/04/01/lancamento-do-dossie-orcamentario-a-seguranca-publica-no-rio-de-janeiro-sao-paulo-e-espirito-santo/ ↩︎
