Ir para conteúdo

LUÍSA MAHIN E LUIZ GAMA: UMA INACREDITÁVEL HISTÓRIA DE DESAPARECIMENTOS FORÇADOS DE MÃE E FILHO NA AFRODIÁSPORA

Por Griot Deley de Acari


Não se sabe quando a Jeje/Mahin Luísa Mahin nasceu no norte da África, dentro do território que hoje se chama Nigéria. O que se sabe é que ela veio já adulta para o Brasil, era quitandeira e mãe de um filho com um português e vivia sendo presa por participar de rebeliões.

Em 1838 depois de fracassada a Sabinada, ela fugiu para a corte no Rio de janeiro já abalada por várias revoltas no interior. Luiza deixa o filho Luiz Gama aos cuidados do pai, sonhando com certeza de um dia voltar a Salvador.

Em 1840 quando tinha dez anos Luiz é vendido como escravo pelo pai para pagar dívida de jogo. Trazido para o Rio depois para São Paulo, aos 17 anos depois de aprender ler e escrever Luiz Gama vem ao Rio pela primeira vez procurar sua mãe.

Somente em 1862 com 32 anos de idade, já advogado autodidata, consegue informações que ela teria sido deportada talvez para África depois de se envolver em tentativa de insurgência na corte.

Não tenho notícias sobre Luís Gama ter voltado alguma vez a Salvador novamente. O que eu quero destacar aqui, é que  considero Luísa Mahin uma desaparecida forçada três vez. Quando veio ou foi trazida da África para cá, desaparecendo de uma família e de seu povo. Em seguida, quando teve que fugir para a corte e quando foi deportada.

Mas, pelas características de seus desaparecimentos Luísa Mahin é uma desaparecida política e seu filho Luiz Gama um filho de desaparecida política. No entanto, Luísa Mahin não é a única desaparecida política forçada em solo africano.

Os mais de 20 milhões de africanos sequestrados em África, desaparecidos forçadamente de sua aldeia também são desaparecidos políticos forçados. Sejamos afrodescendentes brasileiros, bolivianos, colombianos, peruanos, equatorianos, salvadorenhas, guatemaltecos, todos nós somos afrodescendentes de desaparecidos políticos africanos.  

Em 2018 participei da Assembleia da Rede Alas, dos 76 participantes da assembleia da Red Alas na Guatemala haviam cerca de dez latinos americanos afrodescendentes. Preciso reafirmar, somos afrodescendentes de desaparecidos forçados em solo africano.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: