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O BRANCO E O RACISMO: A SUPREMACIA BRANCA NO BRASIL

Por Fransérgio Goulart


Quando falamos sobre raça e racismo podemos cair na armadilha da hipótese que o próprio privilégio branco construiu: que a questão racial é um problema do negro.

Importante historicizar que o branco foi (auto)representado em toda a história, como o ser humano ideal, o que lhe conferiu ao longo de séculos uma situação de privilégio que é legitimada até os dias atuais.

A questão é por que dessa construção?

Isso possibilita a supremacia branca manter seu privilégio. Pois, mais uma vez, joga para o historicamente oprimido toda essa responsabilidade da subjugação.

Isso pode ser materializado ao vermos um monte de teses nas universidades que versam sobre a situação dos oprimidos e quase nada sobre a posição dos opressores. O porquê disso? Quem oprime não quer ser pesquisado! Afinal, isso seria uma forma de colocarmos em xeque seus próprios privilégios.

No ano de 1957, o marxista negro Guerreiro Ramos já discutia o que chamou de “patologia branca no Brasil”[1]. Segundo o autor, a utilização do negro como tema por pesquisadores brancos era uma forma como apontamos de assegurar seus privilégios.

Outra falácia construída por nós brancos é o mantra que com educação enfrentaremos o racismo. Uma farsa! Pois esconde que o problema é estrutural e histórico, sendo assim se não enfrentarmos as questões materiais e determinantes, não corroboramos de forma honesta com a luta antirracista. 

Mas, estaríamos nós os brancos, dispostos – a partir do reconhecimento simbólico dos nossos privilégios, verdadeiramente comprometidos a compartilhar e discutir privilégios simbólicos e materiais?

Precisamos que nós, os brancos, possamos discutir de fato sobre o nosso papel nessa construção e reprodução do racismo como elemento estrutural do capitalismo dependente brasileiro. 

E assim, ao começarmos discutir profundamente sobre relações racistas podemos nos indagar: quais possibilidades e vantagens são garantidas a nós, brancos, em função do racismo? E por conseguinte, colocar a pergunta ao meu ver que é central: Qual o papel de nós, brancos, na luta antirracista concreta e não apenas no discurso?

Ao estudarmos a categoria Branquitude[2] temos a possibilidade de construirmos a identidade racial branca, pois começamos a ser racializados, tais como negros e indígenas nas sociedades estruturadas pela ideia de raça.

Precisamos construir que ser branco não é uma coisa individual, mas coletiva, e o que legitima se reconhecer como raça.

No Brasil a discussão começou a se aprofundar não tem muito tempo, podemos tentar ter como marcador os anos 90 e o advento da luta e das conquistas das cotas raciais. A partir dos 90 o pesquisador brasileiro Lourenço Cardoso um dos maiores  especialista no Brasil sobre branquitude, demarca que o autor W. B. Du Bois por volta de 1935 foi um dos pioneiros em problematizar a identidade racial branca e que logo após no ano de 1952 Frantz Fanon na publicação Pele Negra, Máscaras Brancas também fomenta toda a discussão.

Se quase 55% da População brasileira sofreu ações racistas, é porque tem outra metade da população brasileira que legitima esse sistema de poder, iniciando essas reflexões poderemos começar a construir o papel do branco na luta antirracista e avançarmos, talvez.

Não basta ser aliado na luta antirracista apenas no discurso, a branquitude precisa ter ações de fato antirracista. Pois, a vida é material e não há transformação sem mudanças efetivas. 

Termino este breve artigo compartilhando uma frase de uma pessoa branca que junto com outros brancos produziram uma série de ações racistas contra uma mulher negra, em um determinado espaço recentemente. 

“Eu não me incomodo em ter atitudes racistas, isso ainda vai acontecer muitas vezes! O que me incomoda é ser chamada de racista.”  

Ou nos encaramos como raça branca possuidora de todos os privilégios dessa sociedade e a partir disso começamos as rupturas, ou ficaremos como brancos/as de um campo progressista que dizem que são bacanas e aliados/as, que no final são tão ou mais racistas do que os do campo da direita. A frase compartilhada acima foi dita por uma pessoa que diz reconhecer seus privilégios.

[1] Ramos,Guerreiro. Texto – Patologia Social do Branco Brasileiro.

[2] Lourenço Cardoso e Tânia M. P. Müller. Branquitude: Estudos Sobre A Identidade Branca No Brasil. Editora Appris. São Paulo. Edição 2018


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