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OPERAÇÕES POLICIAIS DURANTE A QUARENTENA NA BAIXADA


Por Giselle Florentino

Uma das principais facetas da desigualdade racial no Brasil é a forte concentração de homicídios na população negra. A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Todo ano, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são mortos. A taxa de homicídios entre jovens negros é quase 4 vezes maior do que a verificada entre os brancos e, algumas das áreas de maior violência letal do Estado do Rio de Janeiro se concentram nos municípios da Baixada Fluminense. A Baixada Fluminense possui mais de 18 mil assassinatos ao longo dos últimos 10 anos.

No início de março, o Governo do Estado do Rio de Janeiro decretou isolamento social em todo o território fluminense. O que deveria significar a diminuição das operações policiais em favelas e periferias. Porém, essa não foi a realidade. A IDMJR sistematizou os registros de Operações Policiais na Baixada Fluminense ao longo de todo este ano.

Após 90 dias de quarentena, a IDMJR registrou a ocorrência de 105 operações policiais na Baixada Fluminense com 23 pessoas assassinadas e 42 feridos. Ressalta-se que há uma intensificação nas operações policiais em determinadas áreas, como no município de Belford Roxo, sendo a região que mais sofreu com os impactos de operações policiais durante a quarentena. Um total de 41 incursões em três meses, sendo a maior parcela das operações policiais localizadas nas áreas do Gogó da Ema, Roseiral e Parque São José.

O que nos chama a atenção são que essas operações sempre acontecem em territórios dominados por uma facção de tráfico específica e que também é rival das frações de milícias da Baixada. Qual seria o motivo para o Estado escolher apenas essas áreas para realizarem operações?

O Batalhão que mais realizou operações policiais é o 39ºBPM, de Belford Roxo, com um total de 40 operações em 90 dias de isolamento social. Tivemos 29 operações em Queimados (24ºBPM), 15 em Duque de Caxias (15ºBPM), 13 em Nova Iguaçu (20ºBPM), 7 em São João de Meriti (21ºBPM) e 1 Magé (34ºBPM).

As Operações da Polícia ainda têm impedido ações de solidariedade e combate ao Covid-19 nas favelas e periferias. Mesmo em tempos de isolamento social, o braço armado do Estado promove o genocídio letal da população negra, pobre, favelada e periférica.

A IDMJR recebeu diversos relatos que distintas frações de milícias proibiram o fechamento do comércio durante a quarentena! Nas últimas semanas milicianos vem exigindo a retomada da atividade para manterem cobrança de “suas taxas”.

Em alguns municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis podemos até ter a sensação que o isolamento social está sendo efetivado pois nas áreas centrais os comércios estão fechados, mas basta adentrarmos as áreas periféricas que veremos que as milícias impuseram abertura de todo o comércio e prestação de serviços.

Ademais, temos como hipótese, para além do sucessivo sucateamento do SUS, que o avanço da epidemia do Covid-19 na Baixada Fluminense pode ter relação direta com a aliança política do projeto que reúne lideranças de milicianos e neopentecostais da Baixada Fluminense em prol da não queda da lucratividade nos territórios e contrários a manutenção do isolamento social.

Por fim, a vitória de Bolsonaro e Witzel promoveu a consolidação da Milicialização na política de segurança pública do Estado, o genocídio do povo negro segue em ampla ascensão e agora apoiado descaradamente por parcelas de uma elite racista, fascista e ultraconservadora.


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